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Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008

A NOVA LÍNGUA PORTUGUESA

 Desde que os americanos se lembraram de começar a chamar aos pretos  'afro-americanos', com vista a acabar com as raças por via gramatical - isto tem sido um fartote pegado!
 
As criadas dos anos 70 passaram a 'empregadasdomésticas' e preparam-se agora para receber menção de 'auxiliares de apoio doméstico' .
 
De igual modo, extinguiram-se nas escolas os 'contínuos 'passaram todos a 'auxiliares da acção educativa'.
 
Os vendedores de medicamentos,  com alguma prosápia, tratam-se  por 'delegados de informação médica'.
 
 E pelo mesmo processo transmudaram-se os caixeiros-viajantes em  'técnicos de vendas'.
 
O aborto eufemizou-se em 'interrupção voluntária da gravidez';
 
Os gangs étnicos são 'grupos de jovens'
 
Os operários fizeram-se de  repente 'colaboradores';
 
 As fábricas, essas, vistas de dentro são  'unidades produtivas'e vistas da estranja são 'centros de decisão nacionais'.
 
O analfabetismo desapareceu da crosta portuguesa, cedendo o passo à 'iliteracia' galopante.
 
Desapareceram dos comboios as 1.ª e 2.ª classes, para não ferir a  susceptibilidade social das massas hierarquizadas, mas por imperscrutáveis necessidades de tesouraria continuam a cobrar-se  preços distintos nas classes 'Conforto' e 'Turística'.
 
A Ágata, rainha do pimba, cantava chorosa: «Sou mãe solteira...» ; agora, se quiser acompanhar os novos tempos, deve alterar a letra da pungente melodia: «Tenho uma família monoparental...» - eis o novo verso da cançoneta, se quiser fazer jus à modernidade impante.
 
Aquietadas pela televisão, já se não vêem por aí aos pinotes crianças irrequietas e «terroristas»; diz-se modernamente que têm um 'comportamento disfuncional hiperactivo'
 
Do mesmo modo, e para felicidade dos 'encarregados de educação' , os brilhantes programas  escolares extinguiram os alunos cábulas; tais estudantes serão, quando muito, 'crianças de desenvolvimento instável'.

 Ainda há cegos, infelizmente. Mas como a palavra fosse considerada desagradável e até aviltante, quem  não vê é considerado 'invisual'. (O termo é gramaticalmente impróprio,  como impróprio seria chamar inauditivos aos surdos - mas o 'politicamente correcto' marimba-se para as regras gramaticais...)
 
 As putas passaram a ser 'senhoras de alterne'.
 
Para compor o ramalhete e se darem ares, as gentes cultas da praça desbocam-se em 'implementações', 'posturas pró-activas', 'políticas fracturantes' e outros barbarismos da linguagem.
 
E assim linguajamos o Português, vagueando perdidos entre a «correcção política» e o novo-riquismo linguístico.                  
 
Estamos lixados com este 'novo português'; não admira que o pessoal tenha cada vez mais esgotamentos e stress. Já não se diz o que se pensa, tem de se pensar o que se diz de forma  'politicamente correcta'.
 

E na linha do modernismo linguístico, como se chama uma mulher que tenta destruir a educação em Portugal? 
 
 Ministra!

publicado por recebinomail às 01:54
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